sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Quinze pinturas

de

Fernando José Karl.


Exposição
Nautikkon 2010.

Dedico esta exposição aos meus amigos de destino:

Fábio Brüggemann, Péricles Prade, Dennis Radünz, Joel Gehlen, Vinícius Alves, Antonio Carlos Floriano, Marco Vasques, Francine Canto, Everton Freitag, Adriana dos Anjos, Míriam Santini Abreu, Alceu Bett, Shânkara Lis Martins Karl e Matheus Nascimento Karl.

Escutar Cold Play enquanto estiver vendo as gravuras abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=dvgZkm1xWPE


Ver o blog Nautikkon:

www.nautikkon.blogspot.com




A porta para o paraíso não é de ouro
mas de luz.


Uma coroa branca de chuva
para a respiração do vento.


Tudo se move por conta própria.


A solitude do barqueiro Caronte.







O coração branco de Lucana.


Ressurreição de minha vó Ana.


Vendaval em alto mar.

Praia do Sargaço após a chuva.


Para brutal vos adorar,
ó ondas de salgada branca espuma,
eu vos caço num estado de óbvia distração.


Lenta a experiência dos poços profundos.


Escutar os tangos poeirentos
na vitrola marinha.


Às vezes à noite os ciprestes me acordam.


A moça de cabeleira laranja
vence o monstro marinho,
molhada de orvalho e luar.


A casa branca do aedo Brüggemann.


Aquelas qüilas águas trans
ou aquelas águas tranqüilas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um grafismo de Fernando José Karl



Escutar Prelude Cello Suite No. 1

http://br.youtube.com/watch?v=LU_QR_FTt3E&feature=related

Intérprete: Rostropovich.


Shânkara preciosa



De tanto olhar para nada,
ficaste com olhos de fada.

Arthur Tress, 1987

pra saciar nossa sede,
o Algo deixa o copo d'água
ali em cima da mesa

temos o livre-arbítrio de bebê-lo
ou não

se não o bebemos, a culpa não é do Algo,
mas de nossa escolha


se o bebemos, e se tivermos amor no coração,
agradecemos ao Algo a delicadeza
do copo d'água ali em cima da mesa


e se não agradecemos, o Algo não se importa,
o Algo fica feliz de saciarmos a nossa sede


porque o amor nunca pede nada em troca,
porque o amor não é mesquinho,
mas inesgotável oceano



Fernando José Karl

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

W. Eugene Smith, 1946

Não é que cada visão precisa se transformar numa concha que o Algo irá fundir em puro amor dentro de nós: não se trata disso: o que acontece é que o Algo é tão precioso e profundo que até um objeto tão pequeno quanto uma concha pode servir ao Algo para transformar uma simples concha em amor dentro de nós.

O Algo também faz isso com as palavras, que são tão pequenas, e, mesmo sendo assim pequenas que nem uma concha, por exemplo, as palavras podem dizer céu e mar: duas palavras, mínimas, mas que se referem a um significado pra lá de imenso.

O Algo (que está em todo lugar e em lugar nenhum) é o Ser perfeito que ninguém faz, e o Algo só sabe ver poeticamente o mundo: o Algo só sabe ver que, quando despertamos para o fato de que tudo é beleza, também despertamos para o amor puro dentro nós.

O Algo é aquele Ser que se faz sozinho e que, ao encontrar uma barata, a transforma em estrela: é aquele Ser que ninguém faz e que, ao encontrar um assassino, o transforma em água pura da fonte: o Algo vê beleza em tudo, porque ele é a grande potência transformadora.

Fernando José Karl